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O Flamengo chegou a outubro com a receita de negociações de atletas abaixo do que projetou para 2026. Levantamento publicado pelo ge nesta segunda-feira (5) aponta R$ 171,6 milhões em operações até aqui. A previsão anual era de cerca de R$ 250 milhões; reportagens que detalham o orçamento citam R$ 256 milhões.
Para a Nação, o dado não significa, por si só, falta de dinheiro para pagar compromissos. Ele mostra que a venda de jogadores ficou aquém da previsão num ano em que o clube fez investimentos altos no elenco. O resultado definitivo de 2026 só poderá ser conhecido após o fechamento do exercício e a publicação das contas.
Imagem: Gilvan de Souza/Flamengo. Foto de Evertton Araújo, utilizada para ilustrar o debate sobre a base rubro-negra.
Quanto faltaria para a meta?
Se os R$ 171,6 milhões do levantamento forem comparados à projeção de R$ 256 milhões citada pelo UOL, a diferença aritmética é de R$ 84,4 milhões. O ge arredondou a previsão para aproximadamente R$ 250 milhões; por isso, a distância muda conforme a referência usada. Trata-se de comparação entre uma apuração de operações e uma meta de orçamento, não de um balanço final auditado.
As duas apurações apontam o mesmo quadro: as negociações ainda não alcançaram o valor esperado. A janela de transferências dos principais mercados já terminou, o que reduz as oportunidades de uma venda grande nesta reta do ano, mas não autoriza dizer que a meta anual está definitivamente perdida.
O que o balanço oficial permite afirmar
No relatório financeiro do primeiro semestre, o próprio Flamengo registrou R$ 106,9 milhões de receita bruta com movimentação de atletas até junho. O documento também informa R$ 495,2 milhões adicionados em direitos de jogadores no período, puxados pela contratação de Lucas Paquetá. São medidas contábeis de naturezas diferentes e não devem ser subtraídas uma da outra como se fossem entradas e saídas de caixa do mesmo dia.
O relatório chama atenção para outra diferença importante: o preço anunciado de uma transferência pode incluir direitos pertencentes a terceiros, comissões e outros custos. Na venda de Ryan Roberto ao Shakhtar Donetsk, por exemplo, o documento registra R$ 56,2 milhões como valor da negociação no semestre. O ge informa que o Flamengo detinha 70% dos direitos econômicos e ficou com cerca de R$ 39,4 milhões. O Shakhtar confirmou a chegada do jogador em junho.
Por que a base entrou na conversa?
O levantamento do ge associa a distância da meta ao debate sobre como o Flamengo forma, aproveita e negocia os jovens do Ninho. Vender mais não é o único objetivo da base: revelar atletas capazes de ajudar o time principal também tem valor esportivo. Mas, quando o orçamento prevê receita com transferências, a quantidade e o valor das negociações passam a pesar na avaliação da temporada.
Para o torcedor, a pergunta relevante agora é dupla: como o clube pretende lidar com a diferença em relação à previsão de vendas e como abrir espaço para jovens sem enfraquecer um elenco que disputa títulos? A resposta exige acompanhar os próximos demonstrativos e decisões concretas da direção — não confundir meta abaixo do esperado com crise financeira já comprovada.
Enquanto isso, o foco esportivo segue no calendário. Veja também o cenário do elenco para Flamengo x Santos.